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quinta-feira, 11 de março de 2021
quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
Faleceu a critica de arte Matilde Matos
Faleceu ontem, dia 17, em Salvador, onde morava há muitos anos, a mais festejada critica de arte da Bahia, Matilde Matos. Sua relação com Feira de Santana é duradora, resultado de sua formação intelectual e formal adquirida na vivência do Colégio Santanópolis, desde sua fundação em 1933.
Matilde, uma das estudantes destacadas na área cultural, mudou-se para Salvador onde escrevia para vários jornais locais, divulgando os principais movimentos artísticos e culturais da Bahia e do mundo.
Sua estreita relação com Feira de Santana continuava, quando ela mantinha constante divulgação dos artistas feirenses, promovendo e os incluindo nos movimentos culturais que liderava com a categoria e respeito alcançado nos meios artísticos.
Em Salvador dirigia a escola de inglês EBEC, localizada no Canela, com filial no bairro da Pituba, onde o espaço era aproveitado para promover várias exposições coletivas e individuais.
Os artistas baianos viviam cortejando sua amizade para obter um espaço entre os escolhidos. E assim foi a longeva vida de uma amiga de minha mãe Maria Cristina, que viveu quase um século a serviço da cultura deixando um legado da evolução nas artes visuais deste fértil período de sua convivência na terra.
A vida é um pequeno espaço para quem produz tanto em prol da coletividade enaltecendo terceiros, sem interesse próprio deixando um legado inestimável de nomes formados a partir do privilegio nato para pinçar os selecionados para o efêmero sucesso das artes em geral. Como escritora destaco o livro, quase um dicionário das artes, “50 anos de Artes na Bahia – Matilde Matos’’. Na edição, feirenses como Raimundo Oliveira, César Romero, Washington Falcão, Gil Mário, Juraci Dórea e Caetano Dias.
Segundo Henri Bergsun em linhas gerais, bem como com sua teoria implícita sobre a educação e com a educadora, mulher, desempenhando, com seu feeling, um papel diferenciado nesse processo voltado para a intuição como um dos principais meios cognitivos. Desta forma, seguiu as ondas da vida ate o apagar da luz, Viva Matilde Matos!
Por Gil Mário, publicado no Jornal Folha do Estado em 20/01/2021
quinta-feira, 7 de janeiro de 2021
Racismo, uma diferença
Para descrever através da escrita tema tão polêmico e contraditório, parto do principio que na face da terra “existe uma única raça: a humana”.
O escravismo e o racismo nada têm em comum. “As razões porque se adotou o regime de trabalho escravo foram de origem econômica e, repousaram basicamente no custo da empresa colonizadora.” O racismo é uma questão de intolerância humana, segundo José Augusto Conceição.
Interessa-nos, especialmente, como afirmei antes, ressaltar a diferença entre racismo e escravidão. Nas Américas predomina o escravo de cor preta decorrente dos navios negreiros originados da África. Racismo é denominar os habitantes da América do Norte, Central e do Sul de latinos e hispânicos, pejorativamente, depreciando os imigrantes, amarelos de asiáticos e brasileiros de pardos (sua maior população).
Escravos já existiam desde antigas civilizações, quanto a Suméria, Chineses da Dinastia Han, e o Império Romano. Portanto, não é uma invenção de brasileiros. No Brasil, a extinção da escravatura culminou com a “assinatura da lei Áurea, em 13 de maio de 1888 decretando o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre outra”. Não somos os últimos escravocratas como divulgam: na Nigéria extinguiu-se em 1930, na Arábia Saudita em 1962, na Mauritânia em 1980, entre outros como Camboja, Paquistão, Índia, China, Etiópia, Rússia, Tailândia, Congo, Mianmar e Bangladesh. Quanto à cor negra, não é identidade de escravo, as expansões do Império Romano, por exemplo, renderam espólios de guerras com a captura de povos Celtas, Germânicos, Trácios, Eslavos, Cartaginenses e Etíopes com características da pele branca olhos azuis e cabelos loiros. Desta forma, escravidão não implica na cor da pele e sim, gera uma controvérsia que sociologicamente é revisto e do qual a genética também inicia uma revisão. A recompensa de cotas para ingressar em universidades ou empregos desmerece a inteligência dos iguais. Com isso, estou a afirmar que não é mais o racismo o que obliterar a mobilidade social ascendente das populações negras. O racismo é sim, um problema que persiste no âmbito do imaginário social brasileiro exigindo, pois, instrumentos psicossociais para seu enfrentamento.
O “Poeta dos Escravos”, Antônio Frederico Castro Alves no século XIX, era conhecido como abolicionista destacando em suas poesias a miséria do degredo. “Ontem simples, fortes, bravos.// Hoje míseros escravos,// Sem luz, sem ar, sem razão... // São mulheres desgraçadas, // Como Agar o foi também. Que sedentas, alquebradas,// De longe vêm...// Trazendo com tíbios passos // Filhos e algemas nos braços,”.
Um exemplo de racismo religioso, geográfico e fanatismo perverso mata Samuel Paty, de 47 anos, que ensinava geografia e história em escola no subúrbio de Paris. Segundo o jornal Le Monde o professor foi decapitado em reação a liberdade de comentar sobre críticas da revista satírica Charlie Hebdo sobre o profeta Maomé.
A intolerância racial chega com frequência aos campos de futebol e a agressão física muitas vezes a todas as fronteiras. Vamos concluir com as esperanças do monsenhor Gaspar Sadoc: “Senhor da Vida e autor da luz, eterna fonte e eterna força; uma nova aurora já está prenunciando um novo mundo, para, na justiça e na paz, realizar-se a civilização do amor.”
domingo, 6 de setembro de 2020
Desmatamento versus progresso
Foto: Agressões das queimadas
O progresso da civilização no mundo foi graças à evolução na produção de alimentos.
Certa vez, o filósofo italiano Umberto Eco, nascido em 1932, foi convidado a falar sobre tecnologia para um importante jornal norte-americano sobre qual era a invenção mais importante do homem no último milênio. “Surpreendentemente, sua resposta não foi a Internet, o computador a televisão ou o antibiótico. Para ele, a maior inovação do homem foi o domínio das técnicas de agricultura, que custou centenas de anos para serem controladas e consolidadas, possibilitando que o homem europeu vencesse além da fome, as pestes que se alastravam na Idade Média”.
Como conciliar produção agrícola e mata nativa? Promovendo sustentabilidade científica e manejos racionais das grandes áreas que se propõem rentáveis e produtoras de alimentos.
Apesar de o Brasil tornar-se um celeiro na produção de alimentos abastecendo inúmeros outros países, a fome persiste por questões políticas e econômicas. Atualmente, estima-se que um bilhão de pessoas em todo o mundo sofram com esse problema. A pobreza não é exclusiva de países ou regiões pobres. Também se manifesta nas periferias de grandes e pequenas cidades de países ricos e emergentes como o Brasil.
Mesmo considerando o altíssimo nível técnico que o Brasil tem alcançado no “Agronegócio”, superando até a pandemia causada pela covide-19, quando se fala em sustentabilidade e descaso com o manejo administrativo da Bacia Amazônica, o Brasil sofre ataques de dirigentes europeus ameaçando a soberania nacional. Não se trata de uma área de terra com um riozinho no meio. São nove grandes estados: Pará, Amazonas, Roraima, Amapá, Rondônia, Acre, e parte do Maranhão, Mato Grosso e Tocantins.
As queimadas tão citadas como causa do desmatamento pernicioso, inflamam ativistas internacionais como a adolescente sueca Greta Thunberg defensora contumaz dos índios e florestas.
Com tudo, a geografia da Amazônia Continental passa ainda por nove países: Guiana, Peru, Surinami, Equador, Venezuela, Colômbia, Guiana Francesa, Bolívia e Brasil. Todavia não se pode nomear o Brasil como único “predador” oficial da floresta. “Ainda que a expulsem com focado a Natureza voltará a aparecer”, assim permitam, (Quinto Horácio Flaco, um dos maiores filósofos e poetas da Roma Antiga).
A sustentabilidade é o foco, vários ativistas se pronunciaram como Chico Mendes (1944-1988) seringueiro e que hoje passaram a criadores de gado por falta de competitividade com o látex. Um artista Polônez Frans Krájcberg de 1921 radicado no Brasil materializava suas esculturas com madeira resultado de queimadas. Faleceu aos 96 anos defendendo as florestas, outro aficionado, Sebastião Salgado, chegou a representante da UNICEF recebendo várias honrarias, o Greenpeace e o Banco alemão Kreditanstalt für Wiederaufbau, entre outros se envolveram nesta problemática.
Além destes heróis, devemos acordar os políticos brasileiros e incrustar certa dose de patriotismo (palavra que o brasileiro não gosta muito) com o intuito da preservação dos nossos limites geográficos – nossas fronteiras. Alguns dirigentes como o Senhor Emmanuel Macron, um Napoleão do século XXI gostariam de transformar a Amazonas em “Clube de oxigênio” sob a direção de um conglomerado de países para administrarem o maior ecossistema de floresta contínua do mundo. “O meio ambiente esta no interior da ecologia faz parte dela, não é separado”. Ecologia é uma ciência e o meio ambiente faz parte do objeto de estudo dela. Se a maioria do questionamento é a produção de oxigênio, é preciso lembrar os oceanos onde se encontra a produção de fitoplâncton responsável por 55% do oxigênio no planeta. Mesmo porque a fotossíntese realizada pelas florestas na ausência do sol produz gás carbono. O verdadeiro pulmão do planeta são os oceanos, as algas. “Se somarmos o oxigênio produzido pela fotossíntese de todos os oceanos, teremos mais oxigênio do que aquele produzido pelas florestas” garante a oceanógrafa Elizabete de Santes Braga.
Acredito que a seca prolongada facilite grandes queimadas a exemplo do Pantanal com perda de um milhão de hectares neste ano de 2020, uma ação da natureza que tem atingido outros países. “Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la” Bertolt Brecht. Uma proposta a ser incorporada ao contexto.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana
Feira de Santana, 2020
segunda-feira, 3 de agosto de 2020
Noventa anos cultivando amizades, arte e cultura
Foto: Matilde Matos e Marinita Menezes
A festejada crítica de arte Matilde Matos e a Professora Maria Cristina Menezes “Marinita”, tem em comum o hábito de cultivar amizades. O que fazem prazerosamente há 90 anos.
Matilde Augusta de Matos nasceu em 1927, na cidade de Caicó, Rio Grande do Norte. Veio a fixar residência em 1933, no Estado da Bahia, inicialmente em Serrinha e posteriormente na cidade de Feira de Santana, estudando no Colégio Santanópolis onde conheceu Marinita (minha mãe).
Na comemoração do aniversario de 90 anos de Marinita, constatei a presença de amigos do tempo das férias em Itaberaba, na residência de meus bisavós. Ainda solteiras e jovens fizeram amizades duradouras com Margarida Mendo Mendonça, Lelita Vaz de Queiroz, Noelia Sincurar de Andrade, Nilda Mascarenhas de Castro, Evoá Ferreira e Antônia de Loreto entre outros.
As amizades continuaram em Feira de Santana, época que o Sr. Mendo, pai de Margarida, gerenciava o único correio e telégrafo da cidade, funcionando em frente a nossa casa, nas imediações da Prefeitura Municipal. Quanto a Matilde, considerada de inteligência diferenciada, liderava as atividades esportivas do Santonópolis e não faltavam passeios ao Parque Bernardino Bahia, na época área de lazer e amizades. Em 1968, Matilde transferiu sua residência para a capital, Salvador, assumindo uma coluna no Jornal da Bahia onde abordava atividades culturais e artísticas da cidade e regiões. Sempre requisitada para criar e coordenar grandes eventos nesta área. Fui também beneficiado por suas ações com o registro no livro “50 anos de Arte na Bahia”, obra que todo artista gostaria de ser citado.
Representante da ABCA – Associação Brasileira de Críticos de Arte e da AICA - Associação Internacional de Críticos de Arte, coordenou o I Salão de Artes Plásticas do Museu Regional de Feira de Santana, em 1980, e o II Salão em 1984. Nestas datas a grande feira livre da cidade já estava confinada no Centro de Abastecimento desde janeiro de 1977, mais Feira continuou produzindo cultura e artes plásticas através de seus artistas. Matilde é personagem incentivadora desta produção.
Acredito que a longevidade esteja relacionada à regularidade da vida, amigos e trabalhos constantes, talvez contribuam para este sucesso.
Existe uma teoria divulgada por Sidarta Gautama (Buda) transformada na condensação de suas leis que diz: “o sofrimento surge do desejo”; “a única forma de se livrar totalmente do sofrimento é se livrar totalmente do desejo”. Certamente essas pessoas alcançaram essa máxima, vivendo a felicidade que Deus deu.
O Colégio Santanópolis, desde 1933 já pensava em promover arte e cultura, além da educação formal seu objetivo alvo. Com isto, promoveu em 1951 a primeira exposição de Raimundo de Oliveira, atualmente festejado artista visual brasileiro e imortalizado em suas obras. Para historiar sobre o colégio que vivenciei na minha adolescência, começo pelos meus avós o Deputado Áureo Filho e Palmira Sampaio de Oliveira, família de educadores que elevou o nível intelectual e quebrou a monotonia educacional da cidade, inovou no ensino e estimulou a cultura. Com essa máxima e propósito, minha mãe Marinita, estudou e ensinou no colégio. Em seguida frequentou a Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia e pós-graduação em Biologia na Universidade de São Paulo, também é Licenciada em História Natural pela Faculdade de Filosofia da UFBA, além de extenso currículo. Desta forma, habilitou-se para dirigir em Salvador, o Colégio Carlos Santana e de volta a Feira de Santana, assumiu a direção geral do Colégio Assis Chateaubriand. No governo de Luiz Viana Filho, tendo como Secretário de Educação professor Edvaldo Boaventura, juntamente com o médico Geraldo Leite e alguns deputados da terra, participaram das primeiras reuniões para a criação da Universidade em Feira de Santana culminando na atual UEFS. Com a inauguração, em 1976, tornou-se professora Titular da Cadeira que exerceu até sua aposentadoria como Conselheira. Minha mãe casou-se com Gilberto Torres de Menezes (falecido) e teve cinco filhos, Gil Mário, Maria Lina, Jamile, Gilberto e Betânia.
Feira de Santana, 2020
Foto: Marinita e Gilberto Menezes
domingo, 5 de julho de 2020
As guerras, a cor, e “minha não violência”
O globo terrestre, uma das cenas mais icônicas do cinema político. O grande ditador
Gil Mário
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana / 2020







